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Começo bem ruim, meio/fim menos pior (impulso 22/12)

domingo, janeiro 22, 2012

Porque se é para brincar, vamos brincar.
Na minha cama.
Na minha cama de solteiro
Na minha cama de solteiro em que hoje,
deito sozinha.

Porque depois de dias e dias sem dormir, hoje é dia de dormir.
É dia de dormir porque amanhã, apesar de tudo, tenho compromisso.
Dormir.
Dormir, dormir e dormir.
Porque é que diabos as pessoas me vêm com essa de dormir?
Dormir.

Quantas vezes já não escutei:
– Quando eu deito para dormir é que as melhores idéias aparecem (mas deixo passar porque já estou na cama e não vou levantar para anotar)

Poxa, quando semana ou outra me deito para dormir, as idéias realmente vêm.
Me levanto. Anoto (mesmo que depois tenha preguiça de passar para o PC).

E toda noite me lamento.
Me lamento por não morar em um apartamento.
Porque toda noite, 23hs, tenho que fechar minha janela.
Há alguns anos eu dormia olhando para o céu. Hoje durmo olhando para o teto.
Um desespero confinado.
E engole, engole isso, porque aqui isso não funciona.

Grite, grite o mais alto que puder.
Um berro pra ensurdecer.
Um berro tão alto que ultrapasse a genética,
Porque no fim das contas aqueles que deveriam escutar, não escutarão (ou não compreenderão).
É como gritar em mandarin para um público russo.

Mas no fim existe uma linguagem independente de nacionalidades.
E é nela que confio.

Uma linguagem de infinitas possibilidades.
E no fim, é só nessa linguagem que eu cofio.

Coleção

segunda-feira, janeiro 9, 2012

Um dia desses um amigo me disse: tudo bem, não é de agora, nem sei se vai mudar, mas quando você teve, não fez questão de guardar.

As pessoas sempre dizem: você só sente falta, depois que perde.

Esses dias olhei para meu quarto, para minha escrivaninha e para minhas prateleiras: tudo vazio e saturado ao mesmo tempo. Filmes, livros e séries que gosto de ler, ver, reler e rever, mas não dessa vez. Precisava de algo novo. Não necessariamente inédito, simplesmente novo. Fora da minha coleção.

Por natureza sou colecionadora, uma catadora de objetos, praticamente obcecada com pequenos totens, coisinhas que se acumulam em caixas, que esqueço a origem, mas sou incapaz de me desfazer.

Por natureza sou egoísta, egoísta ao ponto de partilhar minhas aquisições, meus pequenos artefatos como presentes. Arrancando pedacinhos de mim e os distribuindo para aqueles que quero que se lembrem de mim. Uma pequena marca. Para aqueles com quem me importo.

Olho para o quarto cheio e vejo espaços vazios, olho e lembro o que costumava ocupa-los. Um livro ali, um quadrinho acolá, um DVD naquele canto, um CD no outro e quem sabe o que mais esses espaços me lembram.

Todas as coisas que tive e que egoisticamente passei para frente.

Mas no fim o que eles mais me lembram é que por mais egoísta que seja, não sou egoísta o suficiente para deixar o que merece ser partilhado por outros ser somente mais uma parte de minha coleção.

Que o que um dia foi meu e de livre vontade passei para frente, ainda é meu. Um pedacinho meu junto às pessoas que amo.

Casa Vazia

sábado, maio 21, 2011

Quando fui embora, fui embora aos poucos. Primeiro fui embora para perto, depois para longe.

Quando era perto era mais fácil. Era difícil, mas não pela distancia, era difícil porque o perto era difícil, agregava valores que não estavam ali e nem podiam ser agregados, pois não havia distância.

Quando fui embora para longe não foi tão difícil, pois estava indo embora pela segunda vez, já era uma veterana. Foi então que o perto é que ficou difícil. A distância me agregou valores, fez de mim outra coisa.

Quando fui embora pela terceira vez fui embora do longe, retornei para onde tinha começado.

O perto e o longe é que se tornaram difíceis, pois estava perto demais, estava junto; estava longe demais, longe do lugar que me tornou outra coisa.

Mas hoje, aqui, com a casa vazia, não quero nem o perto nem o longe, só quero o que é que tornou minha volta difícil.

Em meu quarto afastado procurei a paz quando voltei. Meu próprio lugar, sem ter que passar por áreas comuns da casa, meu próprio lavabo, que quando se toma cerveja é preciso, evitando ter que usar o comum da casa.

Nessa casa vazia, tomo cerveja, a água da rua acabou, meu lavabo está sem água, preciso usar o comum, que utiliza a caixa d’água. Passo pelos cômodos da casa. Não há ninguém.

Gostaria de ver a casa cheia novamente.

Pouco… (finalmente uma coisa que achei não ruim)

domingo, março 27, 2011

E como sempre Ray Charles trás boas idéias, não necessariamente bons textos, mas boas idéias.

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Pouco…

Tudo foi acontecendo aos poucos. Mas a cada pouco o pouco se aproximava mais. Eles iam se acelerando. Como se não houvesse nada que os pudessem conter.

No início era pouco e era vagaroso, no fim era pouco e era rápido, quase como se os poucos quisessem se fundir num único muito.

Mas no do início ao fim, tudo era pouco.

Primeiro foi a aproximação. Lá pelas tantas já eram palavras. Depois foram os beijos. Logo em seguida foi o sexo. E como se não tivesse passado tempo, já veio o fim.

Ela era decidida, ele era receptivo. Ela era tirana, ele, praticamente um submisso. Ela queria ali e agora, ele aceitava. Ela ficava em silêncio, ele prestava atenção.

Aos poucos o pouco se multiplicou. Era mútuo e era divergente, como tem de ser.

Um dia eles acordaram juntos. Ela reclamou e ele chiou, mas no fim das contas nada mudou. A cada pouco que passava, mais eles acordavam juntos.

O tempo passou. Passou de pouco em pouco…

Ela se desinteressou, ele tentou mais um pouco. Ela aceitou, ele não disse mais nada.

Ela quis mais, ele acabou com tudo.

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A homenagem a vocês está aí, como prometi, mesmo que o fim não seja feliz como é o de vocês, mas mesmo assim, não me esqueço nunca, lindos.

Sei que nem preciso falar sobre o pessimismo, vocês sabem. Tirando esse pequeno vício meu espero que gostem, afinal, foi do pouco que se tornaram o que são hoje, pessoas MUITO importantes para mim.

26/03/2011

sábado, março 26, 2011

Olhando para o teto, semiconsciente, prensou que o dia tinha sido estranho.

– Que dia! – sussurrou.

– Que dia! – outra voz completou.

Buscou por todo o teto, só encontrou teias de aranha.

– Como é que tudo se resume a isso? Somente isso?! Isso é tudo o que sempre fui?

– E sempre será… – uma terceira voz respondeu.

Focou o batente da porta de entrada, com dúvida.

– Acho que preciso de mais uma cerveja – disse para si mesma.

O silêncio e a falta de movimento duraram mais do que suportou. Foi buscar uma cerveja e voltou a olhar o teto. O barulho de uma lata sendo aberta quebrou o silêncio.

– É, acho que precisa mesmo, e não só de uma – disse a terceira voz.

Toda a resposta que foi capaz de formular foi o barulho de um isqueiro sendo aceso e uma longa e profunda tragada.

– É um cigarro também é uma boa – completou a segunda voz. – Quem sabe assim sua vida dure menos e seu sofrimento dure mais.

Coçou a cabeça, olhou novamente para o batente da porta. Estranhou. O batente estava só, a porta estava aberta. Olhou para o teto.

– Então isso é tudo?

– É – disse a segunda voz.

– Não, mas é quase tudo – disse a terceira.

– Não, mas como tudo se resume ao nada e isso é o nada para você, acredito que sim, é tudo – completou uma quarta voz.

– É, acho que é… – disse, com dúvida, respondendo a todos.

Tentou refletir, mas tudo o que conseguia pensar é que havia mais cervejas na geladeira.

– Acho que preciso dormir.

– Talvez – disse a segunda.

– Talvez não – disse a quarta.

– Talvez precise acordar – disse a terceira.

– Então tudo não passa de um sonho delirante?

– Sonho de quem? – indagou a terceira.

– Meu?

– Ou dos outros… – disse a segunda.

– Daqueles que você decepcionou – completou a quarta.

Jogou sua lata longe e se levantou para pegar outra.

08/03/2011 – 03:26

terça-feira, março 8, 2011

Você acha que é fácil, você já viu em um zilhão de filmes. É sempre aquela mesma história. É sempre aquela mesma balela.

Você viveu. Experimentou. Experienciou. Viveu tudo aquilo. Tudo é só mais um conto!

Ao menos assim eu acreditava…

Ela chegou.

Ela quis.

Eu quis.

Quisemos.

Tivemos.

Foi.

Ela teve.

Acordou ainda li, em minha cama.

Meu território.

Ela negou o café, eu gritei – gritei para mim mesma, já terminei com uma, duas, três , várias, porque o café não satisfazia.  Agora o café que fazia, fazia só para mim.

Eu o tomei, como sempre, em minha solidão, minha hora, meu tempo, meu presente de mim para mim. O primeiro gole me aqueceu, era safra especial, torra especial, a acidez se quebrou em minha boca, existia algo.

Olhei em volta.

Mas algo além do café me aquecia.

Era teu corpo.

Quem é você?

Quem é diabos que eu deixo estar ao meu lado além do horário do café?

É você.

Se eu fosse feita de três camadas o café aqueceria por dentro, cresceria ali, para libertar seu calor.

Mas eu ainda procurava. De onde vinha aquele calor?

Era algo externo.

De alguma forma isso deveria ser errado.

Mas eu estava aquecida.

Quem é você que eu admito sentir agora?

Que é esse ser estranho que vem para me desarmar?

Se admito que existes, admito que a manhã não é só minha, admito que criei esse eu que sou eu para poder existir.

Admito minha fraqueza e minhas mentiras. Admito minhas mentiras e minha própria existência.

Assim me dei conta de mim, assim me criei, assim cresci, assim me formei, assim me transformei no que hoje sou.

 

 

No que sou e no que nunca deixarei de ser.

 

 

Não existe nada além…

Eu procurei, eu tentei, Eu quis. Acreditei como se acredita que o sol nascerá no dia seguinte.

Mas o universo é assim.

Algumas coisas simplesmente não mudam.

26/02/2011 – 06:13

sábado, fevereiro 26, 2011

Eu, como sempre, estava perto da janela – talvez por vontade de sair dali, talvez por… vontade de sair dali -, e ela já tinha uma face, não era mais apenas uma voz, ao menos para os que se importavam com isso.  Ainda era cedo, 5:35 da matina, e ela falava, ai como falava, como se as 8 eu não tivesse que estar trabalhando.

 
Mas tudo bem, ela falava, eu nada ouvia, a visão que tinha, através da janela fazia sua voz sumir. Quantas tonalidades. E aquele poste? Seus contronos contra o amanhacer, contra o céu em degrade, ela podia falar o que quisesse, aquela visão preenchia minha mente.

 

Quando, hora ou outra, eu precebia que ele ainda estava ali, meu céu se tornava monocromático, mas eram apenas segundos, aquilo ela não podia roubar de mim, fizesse o esforço que fizesse!

 
O relógio andou um pouco, a luz do poste se apagou, mas sua silhueta era ainda mais bela, todos aqueles tons e aquele poste, com todas suas ligações, derivas e contornos atravessando tudo, como se exigisse e negasse sua existencia ao mesmo tempo, era lindo demais, era eu.

 
E ela ainda falava. Falava o que? Frivolidades, falava de coisas que tão pouco importavam. Se pouco importassem para mim até me sentiria um pouco culpada – mesmo que quem deveria se sentir culpado fosse aquele céu tão lindo que roubava minha atenção -, mas pouco importavam a ela própria. Era apenas o falar por falar.

 
E o nascer do sol se refletia nas nuvens, era um céu azul, branco, amarelo e vermelho, era lindo demais. E o poste! O poste continuava insistindo em contrastar, era o preto contra todas as cores. Por que mesmo ela continuava a falar?
Os pássaros começaram a cantar, me deixe escutar apenas isso! Não sou uma pessoa da poesia, mas esse céu me inclinou a ser, ao menos agora, então me deixe escutar isso, esse chamado ao menos.

 
O Bem-Te-Vi cantou alto, silenciou tua voz – ao menos para mim – por que não deita e dorme? Pois para mim já está dormindo há tempos. Já se calou. Sequer existe. É só mais alguém que vai adormecer na minha cama. Então se quer adormecer, adormece logo, porque o relógio corre e logo mais vou trabalhar: te expulsar para sempre do meu lar.

 

 
…Ao menos até que eu precise do teu corpo novamente.

 

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Comecei querendo escrever sobre outra coisa, mas sabe como é a escrita emotiva…

Ao menos escrevi algo, já que faz tanto que não escrevo nada…

(não revi, então, por favor, relevem erros. ;))